7 empresas são investigadas suspeitas de fraude em consignados que teria prejudicado servidores e aposentados em MT
15/07/2026
(Foto: Reprodução) Operação Fugazi cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio Grande do Sul
A Operação Fugazi, realizada nesta quarta-feira (15) pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de irregularidades envolvendo contratos de crédito consignado em Mato Grosso, teve como principal alvo a Capital Consig. Outras seis empresas foram alvos de busca por suspeita de oferecer cartões de crédito consignado que, na prática, funcionavam como empréstimos com condições desfavoráveis a servidores públicos, aposentados e pensionistas, segundo os investigadores.
Em nota, a Capital Consig afirmou ter recebido com surpresa a operação e classificou a diligência como "desnecessária e desproporcional". A empresa disse ainda que entregará todos os documentos solicitados e que "mantém compromisso com transparência, legalidade e normas regulatórias". A instituição informou que segue funcionando normalmente.
Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo e Rio Grande do Sul. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e valores pertencentes aos investigados durante as apurações.
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Entre as empresas atingidas pela operação estão Clickdigital Participações S.A., Clickbank Instituição de Pagamentos Ltda., Bemcardes Benefícios S.A., ABCCARD Cartões Ltda., Quiz Holding Ltda. e Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.
O g1 entrou em contato com a Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A, mas não obteve retorno até a última atualização dessa reportagem. O g1 tenta localizar a defesa das outras empresas citadas.
Capital Consig como núcleo do grupo
Segundo a Polícia Federal, a Capital Consig é considerada a principal empresa investigada e seria o centro de uma estrutura empresarial suspeita de comercializar cartões de crédito consignado com características semelhantes às de empréstimos tradicionais.
A apuração indica que consumidores contratavam um produto apresentado como cartão, mas acabavam submetidos a uma operação de crédito com cobrança de juros elevados, descontos recorrentes em folha de pagamento e dificuldades para encerrar os débitos.
De acordo com os investigadores, o modelo poderia levar ao aumento do saldo das dívidas, já que os pagamentos realizados pelos beneficiários não seriam suficientes para reduzir o valor principal contratado.
A operação também apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro. Além do bloqueio de recursos, a Justiça autorizou o sequestro de bens móveis e imóveis relacionados aos investigados.
Operação Fugazi cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e do Rio Grande do Sul
Reprodução/PF
Denúncias de sindicatos deram início às apurações
As investigações tiveram origem em denúncias apresentadas por sindicatos de servidores públicos de Mato Grosso, por meio da AFG & Taques Advogados Associados.
Em 2025, entidades representativas encaminharam uma representação ao Ministério Público Federal relatando possíveis irregularidades na venda de crédito consignado pela Capital Consig e empresas relacionadas.
As denúncias apontavam que o cartão de crédito consignado oferecido aos servidores poderia funcionar como um empréstimo disfarçado. Também foram relatadas situações como ausência de cartão físico, falta de envio de faturas, operações de “tele saque” e descontos em folha que dificultariam a redução das dívidas.
Os sindicatos ainda levantaram suspeitas sobre evolução patrimonial considerada incompatível das empresas e pediram investigação sobre possíveis crimes financeiros.
A partir dos indícios apresentados, o Ministério Público Federal determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal. O Ministério Público Estadual também iniciou uma investigação civil para verificar possíveis práticas abusivas contra servidores públicos de Mato Grosso.
As apurações realizadas no estado serviram de base para a Operação Fugazi, que ampliou a investigação sobre a Capital Consig, a Cartos e outras empresas do grupo por suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.